O texto é ficção, ok? Mas é uma tentativa de retratar a passagem de Luiz Carlos Prestes, líder da Intentona Comunista pela Escola Alberto Barth, essa sim real.
Em 1935 a escola que fica na Av. Oswaldo Cruz, no Flamengo, foi desativada para se transformar no Tribunal de Exceção que julgou os envolvidos na Revolução. “Outro dia esteve aqui um rapaz que pediu para conhecer o banheiro do primeiro andar, e assim que entrou ficou parado na porta alguns segundos (...) quando foi embora nos contou que era filho de Luiz Carlos Prestes e que fez questão de conhecer a escola aonde o pai foi julgado”, conta a professora Denise, que dá aulas de história.Denise acha que a Prefeitura deveria incentivar os moradores da cidade a conhecer o prédio. E convida quem chega a conhecer a sala aonde os julgamentos aconteciam. Anos depois também passaria por lá o Major Severo Fournier, à frente da Revolução Integralista. Bom, de fato, é de arrepiar qualquer um. O pé direito baixo dá uma sensação de sufocamento e é inevitável não imaginar qual a disposição do tribunal. Aonde ficavam os réus? Na minha versão, sentados de frente para a parede oposta à janela. A blogueira aqui ficou imaginando quem foi Alberto Barth. Uma breve pesquisa nos alfarrábios revela: Barth; empresário suíço que doou uma quantidade de dinheiro para a contrução da escola. O prédio foi projetado em 1906 pelo arquiteto Souza Aguiar, ex-prefeito do Rio, que na época desenhou outras sete escolas. Uma delas é a Escola Deodoro, na Glória.
O que o empresário Barth jamais poderia imaginar era que a escola seria “seqüestrada” pelo Estado e que só retomaria a verdadeira função em 1946.As cercas nas janelas altas – usadas como proteção aos pequenos alunos, rementem inevitavelmente às grades que um dia cercaram Prestes e seus seguidores.